Ana Maria Campos
Publicação: 18/09/2009 09:20
Agora é oficial. O ex-governador Joaquim Roriz protocolou ontem o pedido de desfiliação do PMDB no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Distrito Federal. Começa agora a intensificação das negociações com outras legendas para a escolha do novo destino. O caminho mais provável é um partido pequeno. Entre as opções estão PMN, PRTB, PSC, PRP e PRB. Roriz só vai anunciar a escolha no prazo final previsto na legislação eleitoral, ou seja, em 3 de outubro.
Saiba mais...Disputa pelo GDF parece mais clara entre José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz Ex-governador Joaquim Roriz deixa o PMDB TCDF muda parecer sobre contas de Roriz e Abadia Em litígio com o PMDB local, Roriz está de olho no PRB Magela se encontra com Roriz e sofre severas críticas dentro do PT Usuário cria perfil falso de Roriz no Twitter Como as maiores legendas já estão alinhadas com o governador José Roberto Arruda (DEM) ou lançarão candidato próprio ao Executivo — casos de PT e PTB —, Roriz busca opções entre as agremiações com menor expressão política, mas que poderão construir juntas uma ampla composição partidária. O principal interesse do ex-governador é aumentar o tempo de televisão para a propaganda na campanha eleitoral e abrir espaço para a eleição de aliados nas vagas de deputado distrital, federal e senador.Entre as legendas que já estão fechadas com o ex-governador está o PSC, que sempre foi uma espécie de apêndice do PMDB no Congresso. O partido está sob controle do grupo rorizista no DF, já que tem como presidente um dos principais assessores do ex-governador, Valério Neves Campos. O PMN também virou reduto rorizista. Nesta semana, a secretária-geral nacional do partido, Telma Ribeiro dos Santos, fez uma intervenção na executiva regional e destituiu o atual presidente, Luiz França, que é aliado de Arruda e exerce o cargo de diretor do programa Na Hora. A legenda tem ainda um deputado distrital, Aylton Gomes, e duas administrações regionais.Telma avisou aos correligionários do Distrito Federal que a deputada Jaqueline Roriz assumirá o comando do PMN. Filha do meio do ex-governador, a distrital já comunicou ao PSDB sua intenção de se desfiliar e entrou com ação judicial para pedir justa causa e mudar de legenda sem ser acusada de infidelidade partidária. No processo, Jaqueline sustenta que vai migrar para o PSR, que está ainda em fase de criação. A mudança para uma agremiação que está sendo constituída é uma das exceções previstas em lei para escapar de uma cassação de mandato em casos de transferência partidária.Além de Jaqueline, Celina Leão, assessora de Roriz, também vai deixar o PSDB para se filiar ao PMN. Ela será secretária-geral do partido no DF. “Isso é um absurdo. O partido fica com cara de legenda de aluguel. Ele terá um partido nanico e ainda dividido”, lamenta Luiz França. Nesta semana, Dedé Roriz, sobrinho do ex-governador, migrou do PTB para o PRTB, onde assumiu o cargo de presidente da Juventude do partido. A mudança sinaliza que a legenda também estará ao lado de Roriz na campanha de 2010.Com o comando do PMN,PRTB e do PSC nas mãos de colaboradores fiéis, Roriz poderá escolher uma outra legenda para se filiar. Assim garantiria no mínimo uma coligação com três legendas. O ex-governador disse ontem que tem em vista oito ou nove agremiações, mas não quis revelar com quem tem mantido contato. “Posso dizer apenas que terei mais tempo de televisão do que se tivesse ficado no PMDB”, afirmou ontem ao Correio.No TRE-DF, onde deixou a carta de desfiliação, Roriz distribuiu uma nota em que ataca o PMDB e justifica sua saída. “Saio do PMDB, partido que ajudei a criar, buscando outros caminhos que me permitam continuar lutando pela grandeza de Brasília e redenção de seu povo.” O ex-governador voltou a garantir que será candidato ao GDF nas próximas eleições. “Só a morte me impedirá de concorrer mais uma vez”, afirmou.