Publicação: 03/12/2009 07:30 Atualização: 03/12/2009 12:30
A atriz Leila Lopes, 40 anos, foi encontrada morta na madrugada desta quinta-feira dentro de seu apartamento no bairro do Morumbi, em São Paulo. Os policiais foram chamados ao local, mas já encontraram a atriz sem vida.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, Leila Lopes teve uma parada cardiorrespiratória. A atriz estava caída ao lado da cama. Segundo a polícia, nenhuma marca de violência física teria sido encontrada no corpo de Leila. O boletim de ocorrência informa que a polícia foi chamada ao local e localizou no quarto embalagens de remédios usados e um prato com restos de comida misturados a um veneno de rato, conhecido como chumbinho. No local, também havia uma carta com várias páginas, endereçada à família da vítima e ao marido.
Gaúcha de São Leopoldo, Leila é conhecida pelos trabalhos nas novelas Renascer, quando interpretou a professora Lu, e O rei do gado, como Lúcia, ambas na Rede Globo.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Cabo Patrício se reúne com ocupantes e pode pedir reintegração de posse da CLDF
Manifestantes decidiram em assembleia que desocupariam plenário apenas durante sessão desta tarde
Ana Elisa Santana
Raphael Veleda
Publicação: 03/12/2009 11:14 Atualização: 03/12/2009 12:45
Depois de assembleia na manhã desta quinta-feira (2/12), encerrada por volta de 11h, os manifestantes que ocupam a Câmara Legislativa do DF (CLDF) desde a tarde de quarta (1º) decidiram que desocuparão o Plenário da Casa nesta tarde, para que seja realizada a sessão em que os deputados vão discutir os pedidos de impeachment do governador, José Roberto Arruda, e do vice, Paulo Octávio, entregues até o momento. Depois da sessão, no entanto, eles pretendem voltar ao local.
Como medida preventiva, o presidente em exercício da CLDF, deputado Cabo Patrício, encaminhou à procuradoria da Casa um pedido de reintegração de posse. O documento está sendo redigido e será protocolado no Tribunal de Justiça do DF caso os ocupantes não saiam do Plenário. Cabo Patrício também pediu que fosse providenciado um outro local para a realização da sessão plenária.
Neste momento (12h), o deputado faz uma reunião com uma comissão designada pelos manifestantes para negociar a desocupação.
Bons resultados
A reunião dos estudantes e demais manifestantes começou às 8h20, com a presença de cerca de 50 pessoas que passaram a noite na CLDF. Ao final da assembleia o grupo já tinha entre 70 e 80 pessoas. Eles avaliaram como boa a repercussão do movimento, e decidiram que vão pressionar a Mesa Diretosa da Câmara para a aprovação dos pedidos de saída de Arruda e Paulo Octávio, e também a cassação de todos os deputados envolvidos no esquema de corrupção denunciado pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal.
Durante a sessão, a Comissão de Segurança criada pelo movimento ficará de guarda ao lado do Plenário. Outra parte dos manifestantes vai passar a tarde percorrendo escolas em todo o DF para estimular a participação de mais pessoas na ocupação.
Ainda nesta quinta, às 18h, o movimento vai promover uma vigília contra a corrupção. Os manifestantes chamam toda a sociedade, carregando suas velas, para participar do momento.
Ana Elisa Santana
Raphael Veleda
Publicação: 03/12/2009 11:14 Atualização: 03/12/2009 12:45
Depois de assembleia na manhã desta quinta-feira (2/12), encerrada por volta de 11h, os manifestantes que ocupam a Câmara Legislativa do DF (CLDF) desde a tarde de quarta (1º) decidiram que desocuparão o Plenário da Casa nesta tarde, para que seja realizada a sessão em que os deputados vão discutir os pedidos de impeachment do governador, José Roberto Arruda, e do vice, Paulo Octávio, entregues até o momento. Depois da sessão, no entanto, eles pretendem voltar ao local.
Como medida preventiva, o presidente em exercício da CLDF, deputado Cabo Patrício, encaminhou à procuradoria da Casa um pedido de reintegração de posse. O documento está sendo redigido e será protocolado no Tribunal de Justiça do DF caso os ocupantes não saiam do Plenário. Cabo Patrício também pediu que fosse providenciado um outro local para a realização da sessão plenária.
Neste momento (12h), o deputado faz uma reunião com uma comissão designada pelos manifestantes para negociar a desocupação.
Bons resultados
A reunião dos estudantes e demais manifestantes começou às 8h20, com a presença de cerca de 50 pessoas que passaram a noite na CLDF. Ao final da assembleia o grupo já tinha entre 70 e 80 pessoas. Eles avaliaram como boa a repercussão do movimento, e decidiram que vão pressionar a Mesa Diretosa da Câmara para a aprovação dos pedidos de saída de Arruda e Paulo Octávio, e também a cassação de todos os deputados envolvidos no esquema de corrupção denunciado pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal.
Durante a sessão, a Comissão de Segurança criada pelo movimento ficará de guarda ao lado do Plenário. Outra parte dos manifestantes vai passar a tarde percorrendo escolas em todo o DF para estimular a participação de mais pessoas na ocupação.
Ainda nesta quinta, às 18h, o movimento vai promover uma vigília contra a corrupção. Os manifestantes chamam toda a sociedade, carregando suas velas, para participar do momento.
CAIXA DE PANDORA » TCDF vai apurar suposta participação de conselheiro em esquema de corrupção
Ana Maria Campos
Lilian Tahan
Publicação: 03/12/2009 09:52 Atualização: 03/12/2009 10:16
A Corte do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), da qual Domingos Lamoglia faz parte desde 25 de setembro deste ano, ano abriu processo administrativo para investigar sua suposta participação no esquema de corrupção apontado na Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal. Numa reunião ocorrida na última segunda-feira, os conselheiros do TCDF decidiram requisitar o inquérito 650 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) com o objetivo de estudar a possível participação de Lamoglia no suposto pagamentos de propina envolvendo integrantes do primeiro escalão do governo e deputados distritais.
Lamoglia tomou posse no TCDF em 25 de setembro: ele e o assessor de imprensa do GDF aparecem em vídeo recebendo dinheiro de Durval Barbosa
Lamoglia é citado em vários trechos do inquérito como uma das pessoas de confiança do governador José Roberto Arruda (DEM), a quem era designada a missão — segundo depoimento do ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa — de transportar o dinheiro de origem duvidosa. Em um vídeo anexado ao inquérito aberto pelo STJ e que veio a público, Lamoglia aparece ao lado do assessor de imprensa do governo Omézio Pontes recebendo dinheiro entregue por Durval. Juntos, os dois guardam os maços dentro de uma pasta preta.
Em função das denúncias, o Ministério Público de Contas do Distrito Federal pediu o afastamento cautelar de Domingos Lamoglia do cargo de conselheiro do TCDF. A autora do pedido, a procuradora Márcia Farias, anexou ao processo uma cópia do discurso feito pelo governador na posse de Lamoglia como conselheiro. Na época, o governador fez uma homenagem ao amigo, a quem apontou como uma pessoa tão próxima a ponto de se confundirem em um só.
Negociações
Ex-chefe de gabinete de Arruda, Lamoglia ingressou no Tribunal há dois meses depois de vencer um longo processo de negociação política capitaneado pelo próprio governador. Lamoglia disputava a indicação para a Corte com a distrital Eliana Pedrosa. O embate dividiu a Câmara Legislativa, que queria enviar para o TCDF um colega com trânsito no Legislativo. Mas Arruda acabou convencendo a base aliada a votar a favor de um de seus principais assessores no Executivo.
Antes de ser aprovado no Tribunal de Contas, Lamoglia passou por uma sabatina nas Comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Economia e Finanças da Câmara Legislativa. Foi aprovado e sua indicação votada em plenário, com a confirmação por unanimidade dos distritais presentes à sessão na época. Um dos pré-requisitos para a posse como conselheiro é uma investigação pregressa sobre a vida do indicado. Ele precisa ter reputação ilibada para assumir a função.
O cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do DF é vitalício e o salário de cada um dos sete integrantes da Corte é de R$ 22,5 mil.
TJ defende desembargadores
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) registrou ontem por meio de nota considerar que não existe qualquer fato que relacione os desembargadores daquela corte a “ilícitos administrativos ou penais” supostamente praticados por autoridades dos Poderes Legislativo e Executivo. “Os julgamentos são públicos, fundamentados, e eventuais divergências jurídicas entre os julgadores são debatidas e registradas, tudo acompanhado pelo Ministério Público e não pode pesar qualquer sombra de dúvida de que as decisões proferidas são amparadas unicamente na Constituição da República e nas leis do país”, diz o texto encaminhado ontem ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Diálogos
A Corregedoria Nacional de Justiça, órgão do CNJ, deu prazo de 15 dias para que três desembargadores citados em conversas gravadas pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Caixa de Pandora, encaminhem informações ao órgão. O prazo começou a contar ontem. Os nomes dos desembargadores Romeu Gonzaga Neiva, José Cruz Macedo e Getúlio Pinheiro de Souza foram citados em diálogos transcritos pela PF que tiveram como interlocutores o governador Arruda, o chefe da Casa Civil afastado José Geraldo Maciel e o ex-secretário de Relações Institucionais do DF Durval Barbosa. Nas conversas, eles supostamente tratam do recebimento de uma denúncia contra Durval no TJDFT.
Lilian Tahan
Publicação: 03/12/2009 09:52 Atualização: 03/12/2009 10:16
A Corte do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), da qual Domingos Lamoglia faz parte desde 25 de setembro deste ano, ano abriu processo administrativo para investigar sua suposta participação no esquema de corrupção apontado na Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal. Numa reunião ocorrida na última segunda-feira, os conselheiros do TCDF decidiram requisitar o inquérito 650 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) com o objetivo de estudar a possível participação de Lamoglia no suposto pagamentos de propina envolvendo integrantes do primeiro escalão do governo e deputados distritais.
Lamoglia tomou posse no TCDF em 25 de setembro: ele e o assessor de imprensa do GDF aparecem em vídeo recebendo dinheiro de Durval Barbosa
Lamoglia é citado em vários trechos do inquérito como uma das pessoas de confiança do governador José Roberto Arruda (DEM), a quem era designada a missão — segundo depoimento do ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa — de transportar o dinheiro de origem duvidosa. Em um vídeo anexado ao inquérito aberto pelo STJ e que veio a público, Lamoglia aparece ao lado do assessor de imprensa do governo Omézio Pontes recebendo dinheiro entregue por Durval. Juntos, os dois guardam os maços dentro de uma pasta preta.
Em função das denúncias, o Ministério Público de Contas do Distrito Federal pediu o afastamento cautelar de Domingos Lamoglia do cargo de conselheiro do TCDF. A autora do pedido, a procuradora Márcia Farias, anexou ao processo uma cópia do discurso feito pelo governador na posse de Lamoglia como conselheiro. Na época, o governador fez uma homenagem ao amigo, a quem apontou como uma pessoa tão próxima a ponto de se confundirem em um só.
Negociações
Ex-chefe de gabinete de Arruda, Lamoglia ingressou no Tribunal há dois meses depois de vencer um longo processo de negociação política capitaneado pelo próprio governador. Lamoglia disputava a indicação para a Corte com a distrital Eliana Pedrosa. O embate dividiu a Câmara Legislativa, que queria enviar para o TCDF um colega com trânsito no Legislativo. Mas Arruda acabou convencendo a base aliada a votar a favor de um de seus principais assessores no Executivo.
Antes de ser aprovado no Tribunal de Contas, Lamoglia passou por uma sabatina nas Comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Economia e Finanças da Câmara Legislativa. Foi aprovado e sua indicação votada em plenário, com a confirmação por unanimidade dos distritais presentes à sessão na época. Um dos pré-requisitos para a posse como conselheiro é uma investigação pregressa sobre a vida do indicado. Ele precisa ter reputação ilibada para assumir a função.
O cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do DF é vitalício e o salário de cada um dos sete integrantes da Corte é de R$ 22,5 mil.
TJ defende desembargadores
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) registrou ontem por meio de nota considerar que não existe qualquer fato que relacione os desembargadores daquela corte a “ilícitos administrativos ou penais” supostamente praticados por autoridades dos Poderes Legislativo e Executivo. “Os julgamentos são públicos, fundamentados, e eventuais divergências jurídicas entre os julgadores são debatidas e registradas, tudo acompanhado pelo Ministério Público e não pode pesar qualquer sombra de dúvida de que as decisões proferidas são amparadas unicamente na Constituição da República e nas leis do país”, diz o texto encaminhado ontem ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Diálogos
A Corregedoria Nacional de Justiça, órgão do CNJ, deu prazo de 15 dias para que três desembargadores citados em conversas gravadas pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Caixa de Pandora, encaminhem informações ao órgão. O prazo começou a contar ontem. Os nomes dos desembargadores Romeu Gonzaga Neiva, José Cruz Macedo e Getúlio Pinheiro de Souza foram citados em diálogos transcritos pela PF que tiveram como interlocutores o governador Arruda, o chefe da Casa Civil afastado José Geraldo Maciel e o ex-secretário de Relações Institucionais do DF Durval Barbosa. Nas conversas, eles supostamente tratam do recebimento de uma denúncia contra Durval no TJDFT.
CAIXA DE PANDORA » Manifestantes invadem CLDF e diz não ter previsão para sair do plenário
Publicação: 03/12/2009 08:20 Atualização: 03/12/2009 01:03
» Helena mader
» Daniel brito
» Renato alves
Nem mesmo os manifestantes previam o desfecho do protesto marcado para as 14h, em frente à sede da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Representantes de diversas entidades sindicais e de partidos, além de estudantes, bradavam contra o suposto esquema de propinas no governo de José Roberto Arruda (DEM). A manifestação era bem-humorada, com direito a dinheiro nas meias e, claro, muito panetone. Às 14h45, no entanto, o ânimo mudou. Com um caixão nas mãos, eles resolveram invadir o prédio. Os cinco vigilantes da portaria não conseguiram conter a multidão. Houve confronto e um funcionário da Polícia Legislativa ficou ferido. Até o fechamento desta edição, o plenário continuava ocupado por 74 manifestantes, que prometem dormir na Câmara até Arruda deixar o governo.
ACAMPAMENTO À noite, manifestantes se dividiam em comissões: preparativos para a madrugada
OCUPAÇÃO Representantes de sindicatos e de partidos, e estudantes invadiram o plenário: manifestantes mais experientes conseguiram impedir a quebradeira
INVASÃO O grupo entrou na Câmara Legislativa às 14h45, quando havia apenas cinco seguranças
Os responsáveis pelo protesto quebraram a porta de entrada da Câmara e também derrubaram a parede de vidro na entrada do plenário. Eles percorreram os corredores batendo contra as paredes e, aos gritos, pediam a saída de Arruda. Em poucos minutos, o grupo tomou conta do plenário. Os manifestantes subiram nas cadeiras e na mesa de votação. Os seguranças correram para tentar salvar os computadores usados pelos deputados. Mas não conseguiram poupar todo o patrimônio da Câmara. Alguns manifestantes mais exaltados quebraram partes do teto e riscaram as poltronas com o gesso espalhado pelo chão.
Hino Nacional
O clima esquentou após a invasão. Em cima das bancadas, líderes de movimentos estudantis e sindicalistas cantaram o hino nacional e gritaram palavras de ordem. O slogan do protesto era %u201CArruda na Papuda%u201D, em referência à penitenciária masculina da cidade. O vice-governador Paulo Octávio (DEM) e os deputados distritais, também suspeitos de participar do esquema de corrupção, não escaparam das provocações. Com medo de represálias, assessores de parlamentares citados no inquérito tiraram as placas de identificação das portas dos gabinetes e deixaram o prédio pela porta dos fundos. Mas o chefe de gabinete do deputado Leonardo Prudente, coronel Jair Tedeschi, acompanhava toda a manifestação da tribuna da imprensa.
Todas as tribos
O perfil dos manifestantes era bastante variado. Compunham o grupo integrantes de sindicatos fortes, como o dos bancários e o dos professores, representantes de partidos políticos, estudantes de universidades, como os que participaram da ocupação da reitoria da UnB em abril do ano passado, e alunos do ensino médio. A atitude dos participantes do protesto também era bem heterogênea. Alguns queriam discutir a situação política e deliberar sobre o futuro do movimento. Outros queriam apenas incitar a violência, aos gritos de %u201Cquebra tudo%u201D. Mas os manifestantes mais experientes conseguiram conter o ímpeto dos demais.
Durante o ato, a revolta se transformou em humor. Muitas pessoas estavam fantasiadas de palhaços, com malas de dinheiro falso e caixas em alusão ao nome da operação da Polícia Federal que desencadeou o caso %u2014 Caixa de Pandora. Um jovem que se identificou como Sérgio e disse ser funcionário do GDF estava com o rosto pintado de branco e um nariz de palhaço. Na cueca vestida sobre a roupa, pôs um maço de dinheiro de brinquedo. %u201CA gente tem que acabar com essa roubalheira e tirar o governador de lá. Só o povo pode mudar essa situação%u201D, gritava o jovem.
Quem também estava fantasiado era o bancário Iran de Sousa Né, escalado para interpretar Arruda durante os protestos. %u201CÉ por causa da careca. Não é a primeira vez que represento este papel, mas agora a coisa está feia. A gente precisa chamar a atenção para a gravidade do caso%u201D, disse Iran, com uma faixa de governador. Durante os protestos, ele se deitou sobre o caixão levado pelos manifestantes. Já um aluno de história do UniCeub, de 27 anos e vestido com a camisa da torcida organizada Gaviões da Fiel, do Corinthians, surrupiou as bandeiras do Brasil e do DF que ficavam no plenário. %u201CVou levar como troféus. Esse povo (os deputados) não merece essas bandeiras%u201D, comentou, sem revelar nome.
Estudantes com uniformes do Centro de Ensino Médio 417 de Santa Maria e do Centro de Ensino Médio Elefante Branco, na Asa Sul, começaram a riscar todas as poltronas com gesso. %u201CA gente tem que quebrar tudo, colocar fogo nisso aqui%u201D, repetia um deles. Entretanto, as lideranças que se revezavam ao microfone destacavam a importância de preservar o patrimônio público. %u201CVamos convocar a população do DF a ocupar a Câmara Legislativa, mas temos que tomar cuidado para que nada seja danificado%u201D, gritava ao microfone o professor da UnB Rodrigo Dantas, militante do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).
Sessão de 13 minutos
As divergências entre os manifestantes ficaram evidentes logo após a ocupação. Enquanto alguns estudantes davam entrevista à imprensa, outros gritavam para reclamar das declarações. %u201CVamos dormir aqui até o fim%u201D, dizia o universitário Levi Brandão, do UniCeub, quando alguns de seus colegas determinaram que ele não falasse com os repórteres.
Houve confusão também entre militantes de diferentes partidos políticos. Enquanto uma pessoa balançava uma bandeira do PSB, um grupo de manifestantes começou a agredi-lo verbalmente. %u201CVai embora daqui, que moral vocês têm para protestar? O (deputado) Rogério Ulysses está no meio da corrupção%u201D, acusou um participante do protesto.
Em meio à confusão generalizada, parlamentares da oposição tentavam desocupar o plenário para ler os pedidos de afastamento contra Arruda e Paulo Octávio. A deputada Érika Kokay (PT) subiu à tribuna entre os manifestantes para explicar os trâmites dos processos. Mais uma vez, houve muita divergência. Alguns queriam manter o plenário ocupado. Outro grupo defendia a saída temporária, para que a leitura dos requerimentos fosse possível.
Ontem foram apresentados três novos pedidos de impeachment: um do PT, outro do PSol e o terceiro elaborado pela Ordem dos Ministros Evangélicos, uma entidade com sede no Gama. Às 17h30, os deputados do PT conseguiram convencer os participantes do protesto a sair. Meia hora depois, foi aberta a sessão, com a presença dos quatro deputados do PT, além de José Antônio Reguffe (PDT) e de Jaqueline Roriz (PSDB). O presidente em exercício, Cabo Patrício, leu os seis pedidos de impeachment. A sessão durou 13 minutos. Os manifestantes se reuniram e, meia hora depois, decidiram ocupar o plenário da Câmara novamente. (RA, DB e HM)
Confira videorreportagem sobre a invasão da Câmara Legislativa por manifestantes que exigem a renúncia de Arruda
» Helena mader
» Daniel brito
» Renato alves
Nem mesmo os manifestantes previam o desfecho do protesto marcado para as 14h, em frente à sede da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Representantes de diversas entidades sindicais e de partidos, além de estudantes, bradavam contra o suposto esquema de propinas no governo de José Roberto Arruda (DEM). A manifestação era bem-humorada, com direito a dinheiro nas meias e, claro, muito panetone. Às 14h45, no entanto, o ânimo mudou. Com um caixão nas mãos, eles resolveram invadir o prédio. Os cinco vigilantes da portaria não conseguiram conter a multidão. Houve confronto e um funcionário da Polícia Legislativa ficou ferido. Até o fechamento desta edição, o plenário continuava ocupado por 74 manifestantes, que prometem dormir na Câmara até Arruda deixar o governo.
ACAMPAMENTO À noite, manifestantes se dividiam em comissões: preparativos para a madrugada
OCUPAÇÃO Representantes de sindicatos e de partidos, e estudantes invadiram o plenário: manifestantes mais experientes conseguiram impedir a quebradeira
INVASÃO O grupo entrou na Câmara Legislativa às 14h45, quando havia apenas cinco seguranças
Os responsáveis pelo protesto quebraram a porta de entrada da Câmara e também derrubaram a parede de vidro na entrada do plenário. Eles percorreram os corredores batendo contra as paredes e, aos gritos, pediam a saída de Arruda. Em poucos minutos, o grupo tomou conta do plenário. Os manifestantes subiram nas cadeiras e na mesa de votação. Os seguranças correram para tentar salvar os computadores usados pelos deputados. Mas não conseguiram poupar todo o patrimônio da Câmara. Alguns manifestantes mais exaltados quebraram partes do teto e riscaram as poltronas com o gesso espalhado pelo chão.
Hino Nacional
O clima esquentou após a invasão. Em cima das bancadas, líderes de movimentos estudantis e sindicalistas cantaram o hino nacional e gritaram palavras de ordem. O slogan do protesto era %u201CArruda na Papuda%u201D, em referência à penitenciária masculina da cidade. O vice-governador Paulo Octávio (DEM) e os deputados distritais, também suspeitos de participar do esquema de corrupção, não escaparam das provocações. Com medo de represálias, assessores de parlamentares citados no inquérito tiraram as placas de identificação das portas dos gabinetes e deixaram o prédio pela porta dos fundos. Mas o chefe de gabinete do deputado Leonardo Prudente, coronel Jair Tedeschi, acompanhava toda a manifestação da tribuna da imprensa.
Todas as tribos
O perfil dos manifestantes era bastante variado. Compunham o grupo integrantes de sindicatos fortes, como o dos bancários e o dos professores, representantes de partidos políticos, estudantes de universidades, como os que participaram da ocupação da reitoria da UnB em abril do ano passado, e alunos do ensino médio. A atitude dos participantes do protesto também era bem heterogênea. Alguns queriam discutir a situação política e deliberar sobre o futuro do movimento. Outros queriam apenas incitar a violência, aos gritos de %u201Cquebra tudo%u201D. Mas os manifestantes mais experientes conseguiram conter o ímpeto dos demais.
Durante o ato, a revolta se transformou em humor. Muitas pessoas estavam fantasiadas de palhaços, com malas de dinheiro falso e caixas em alusão ao nome da operação da Polícia Federal que desencadeou o caso %u2014 Caixa de Pandora. Um jovem que se identificou como Sérgio e disse ser funcionário do GDF estava com o rosto pintado de branco e um nariz de palhaço. Na cueca vestida sobre a roupa, pôs um maço de dinheiro de brinquedo. %u201CA gente tem que acabar com essa roubalheira e tirar o governador de lá. Só o povo pode mudar essa situação%u201D, gritava o jovem.
Quem também estava fantasiado era o bancário Iran de Sousa Né, escalado para interpretar Arruda durante os protestos. %u201CÉ por causa da careca. Não é a primeira vez que represento este papel, mas agora a coisa está feia. A gente precisa chamar a atenção para a gravidade do caso%u201D, disse Iran, com uma faixa de governador. Durante os protestos, ele se deitou sobre o caixão levado pelos manifestantes. Já um aluno de história do UniCeub, de 27 anos e vestido com a camisa da torcida organizada Gaviões da Fiel, do Corinthians, surrupiou as bandeiras do Brasil e do DF que ficavam no plenário. %u201CVou levar como troféus. Esse povo (os deputados) não merece essas bandeiras%u201D, comentou, sem revelar nome.
Estudantes com uniformes do Centro de Ensino Médio 417 de Santa Maria e do Centro de Ensino Médio Elefante Branco, na Asa Sul, começaram a riscar todas as poltronas com gesso. %u201CA gente tem que quebrar tudo, colocar fogo nisso aqui%u201D, repetia um deles. Entretanto, as lideranças que se revezavam ao microfone destacavam a importância de preservar o patrimônio público. %u201CVamos convocar a população do DF a ocupar a Câmara Legislativa, mas temos que tomar cuidado para que nada seja danificado%u201D, gritava ao microfone o professor da UnB Rodrigo Dantas, militante do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).
Sessão de 13 minutos
As divergências entre os manifestantes ficaram evidentes logo após a ocupação. Enquanto alguns estudantes davam entrevista à imprensa, outros gritavam para reclamar das declarações. %u201CVamos dormir aqui até o fim%u201D, dizia o universitário Levi Brandão, do UniCeub, quando alguns de seus colegas determinaram que ele não falasse com os repórteres.
Houve confusão também entre militantes de diferentes partidos políticos. Enquanto uma pessoa balançava uma bandeira do PSB, um grupo de manifestantes começou a agredi-lo verbalmente. %u201CVai embora daqui, que moral vocês têm para protestar? O (deputado) Rogério Ulysses está no meio da corrupção%u201D, acusou um participante do protesto.
Em meio à confusão generalizada, parlamentares da oposição tentavam desocupar o plenário para ler os pedidos de afastamento contra Arruda e Paulo Octávio. A deputada Érika Kokay (PT) subiu à tribuna entre os manifestantes para explicar os trâmites dos processos. Mais uma vez, houve muita divergência. Alguns queriam manter o plenário ocupado. Outro grupo defendia a saída temporária, para que a leitura dos requerimentos fosse possível.
Ontem foram apresentados três novos pedidos de impeachment: um do PT, outro do PSol e o terceiro elaborado pela Ordem dos Ministros Evangélicos, uma entidade com sede no Gama. Às 17h30, os deputados do PT conseguiram convencer os participantes do protesto a sair. Meia hora depois, foi aberta a sessão, com a presença dos quatro deputados do PT, além de José Antônio Reguffe (PDT) e de Jaqueline Roriz (PSDB). O presidente em exercício, Cabo Patrício, leu os seis pedidos de impeachment. A sessão durou 13 minutos. Os manifestantes se reuniram e, meia hora depois, decidiram ocupar o plenário da Câmara novamente. (RA, DB e HM)
Confira videorreportagem sobre a invasão da Câmara Legislativa por manifestantes que exigem a renúncia de Arruda
CAIXA DE PANDORA » Manifestantes invadem CLDF e diz não ter previsão para sair do plenário
Publicação: 03/12/2009 08:20 Atualização: 03/12/2009 01:03
» Helena mader
» Daniel brito
» Renato alves
Nem mesmo os manifestantes previam o desfecho do protesto marcado para as 14h, em frente à sede da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Representantes de diversas entidades sindicais e de partidos, além de estudantes, bradavam contra o suposto esquema de propinas no governo de José Roberto Arruda (DEM). A manifestação era bem-humorada, com direito a dinheiro nas meias e, claro, muito panetone. Às 14h45, no entanto, o ânimo mudou. Com um caixão nas mãos, eles resolveram invadir o prédio. Os cinco vigilantes da portaria não conseguiram conter a multidão. Houve confronto e um funcionário da Polícia Legislativa ficou ferido. Até o fechamento desta edição, o plenário continuava ocupado por 74 manifestantes, que prometem dormir na Câmara até Arruda deixar o governo.
ACAMPAMENTO À noite, manifestantes se dividiam em comissões: preparativos para a madrugada
OCUPAÇÃO Representantes de sindicatos e de partidos, e estudantes invadiram o plenário: manifestantes mais experientes conseguiram impedir a quebradeira
INVASÃO O grupo entrou na Câmara Legislativa às 14h45, quando havia apenas cinco seguranças
Os responsáveis pelo protesto quebraram a porta de entrada da Câmara e também derrubaram a parede de vidro na entrada do plenário. Eles percorreram os corredores batendo contra as paredes e, aos gritos, pediam a saída de Arruda. Em poucos minutos, o grupo tomou conta do plenário. Os manifestantes subiram nas cadeiras e na mesa de votação. Os seguranças correram para tentar salvar os computadores usados pelos deputados. Mas não conseguiram poupar todo o patrimônio da Câmara. Alguns manifestantes mais exaltados quebraram partes do teto e riscaram as poltronas com o gesso espalhado pelo chão.
Hino Nacional
O clima esquentou após a invasão. Em cima das bancadas, líderes de movimentos estudantis e sindicalistas cantaram o hino nacional e gritaram palavras de ordem. O slogan do protesto era %u201CArruda na Papuda%u201D, em referência à penitenciária masculina da cidade. O vice-governador Paulo Octávio (DEM) e os deputados distritais, também suspeitos de participar do esquema de corrupção, não escaparam das provocações. Com medo de represálias, assessores de parlamentares citados no inquérito tiraram as placas de identificação das portas dos gabinetes e deixaram o prédio pela porta dos fundos. Mas o chefe de gabinete do deputado Leonardo Prudente, coronel Jair Tedeschi, acompanhava toda a manifestação da tribuna da imprensa.
Todas as tribos
O perfil dos manifestantes era bastante variado. Compunham o grupo integrantes de sindicatos fortes, como o dos bancários e o dos professores, representantes de partidos políticos, estudantes de universidades, como os que participaram da ocupação da reitoria da UnB em abril do ano passado, e alunos do ensino médio. A atitude dos participantes do protesto também era bem heterogênea. Alguns queriam discutir a situação política e deliberar sobre o futuro do movimento. Outros queriam apenas incitar a violência, aos gritos de %u201Cquebra tudo%u201D. Mas os manifestantes mais experientes conseguiram conter o ímpeto dos demais.
Durante o ato, a revolta se transformou em humor. Muitas pessoas estavam fantasiadas de palhaços, com malas de dinheiro falso e caixas em alusão ao nome da operação da Polícia Federal que desencadeou o caso %u2014 Caixa de Pandora. Um jovem que se identificou como Sérgio e disse ser funcionário do GDF estava com o rosto pintado de branco e um nariz de palhaço. Na cueca vestida sobre a roupa, pôs um maço de dinheiro de brinquedo. %u201CA gente tem que acabar com essa roubalheira e tirar o governador de lá. Só o povo pode mudar essa situação%u201D, gritava o jovem.
Quem também estava fantasiado era o bancário Iran de Sousa Né, escalado para interpretar Arruda durante os protestos. %u201CÉ por causa da careca. Não é a primeira vez que represento este papel, mas agora a coisa está feia. A gente precisa chamar a atenção para a gravidade do caso%u201D, disse Iran, com uma faixa de governador. Durante os protestos, ele se deitou sobre o caixão levado pelos manifestantes. Já um aluno de história do UniCeub, de 27 anos e vestido com a camisa da torcida organizada Gaviões da Fiel, do Corinthians, surrupiou as bandeiras do Brasil e do DF que ficavam no plenário. %u201CVou levar como troféus. Esse povo (os deputados) não merece essas bandeiras%u201D, comentou, sem revelar nome.
Estudantes com uniformes do Centro de Ensino Médio 417 de Santa Maria e do Centro de Ensino Médio Elefante Branco, na Asa Sul, começaram a riscar todas as poltronas com gesso. %u201CA gente tem que quebrar tudo, colocar fogo nisso aqui%u201D, repetia um deles. Entretanto, as lideranças que se revezavam ao microfone destacavam a importância de preservar o patrimônio público. %u201CVamos convocar a população do DF a ocupar a Câmara Legislativa, mas temos que tomar cuidado para que nada seja danificado%u201D, gritava ao microfone o professor da UnB Rodrigo Dantas, militante do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).
Sessão de 13 minutos
As divergências entre os manifestantes ficaram evidentes logo após a ocupação. Enquanto alguns estudantes davam entrevista à imprensa, outros gritavam para reclamar das declarações. %u201CVamos dormir aqui até o fim%u201D, dizia o universitário Levi Brandão, do UniCeub, quando alguns de seus colegas determinaram que ele não falasse com os repórteres.
Houve confusão também entre militantes de diferentes partidos políticos. Enquanto uma pessoa balançava uma bandeira do PSB, um grupo de manifestantes começou a agredi-lo verbalmente. %u201CVai embora daqui, que moral vocês têm para protestar? O (deputado) Rogério Ulysses está no meio da corrupção%u201D, acusou um participante do protesto.
Em meio à confusão generalizada, parlamentares da oposição tentavam desocupar o plenário para ler os pedidos de afastamento contra Arruda e Paulo Octávio. A deputada Érika Kokay (PT) subiu à tribuna entre os manifestantes para explicar os trâmites dos processos. Mais uma vez, houve muita divergência. Alguns queriam manter o plenário ocupado. Outro grupo defendia a saída temporária, para que a leitura dos requerimentos fosse possível.
Ontem foram apresentados três novos pedidos de impeachment: um do PT, outro do PSol e o terceiro elaborado pela Ordem dos Ministros Evangélicos, uma entidade com sede no Gama. Às 17h30, os deputados do PT conseguiram convencer os participantes do protesto a sair. Meia hora depois, foi aberta a sessão, com a presença dos quatro deputados do PT, além de José Antônio Reguffe (PDT) e de Jaqueline Roriz (PSDB). O presidente em exercício, Cabo Patrício, leu os seis pedidos de impeachment. A sessão durou 13 minutos. Os manifestantes se reuniram e, meia hora depois, decidiram ocupar o plenário da Câmara novamente. (RA, DB e HM)
Confira videorreportagem sobre a invasão da Câmara Legislativa por manifestantes que exigem a renúncia de Arruda
» Helena mader
» Daniel brito
» Renato alves
Nem mesmo os manifestantes previam o desfecho do protesto marcado para as 14h, em frente à sede da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Representantes de diversas entidades sindicais e de partidos, além de estudantes, bradavam contra o suposto esquema de propinas no governo de José Roberto Arruda (DEM). A manifestação era bem-humorada, com direito a dinheiro nas meias e, claro, muito panetone. Às 14h45, no entanto, o ânimo mudou. Com um caixão nas mãos, eles resolveram invadir o prédio. Os cinco vigilantes da portaria não conseguiram conter a multidão. Houve confronto e um funcionário da Polícia Legislativa ficou ferido. Até o fechamento desta edição, o plenário continuava ocupado por 74 manifestantes, que prometem dormir na Câmara até Arruda deixar o governo.
ACAMPAMENTO À noite, manifestantes se dividiam em comissões: preparativos para a madrugada
OCUPAÇÃO Representantes de sindicatos e de partidos, e estudantes invadiram o plenário: manifestantes mais experientes conseguiram impedir a quebradeira
INVASÃO O grupo entrou na Câmara Legislativa às 14h45, quando havia apenas cinco seguranças
Os responsáveis pelo protesto quebraram a porta de entrada da Câmara e também derrubaram a parede de vidro na entrada do plenário. Eles percorreram os corredores batendo contra as paredes e, aos gritos, pediam a saída de Arruda. Em poucos minutos, o grupo tomou conta do plenário. Os manifestantes subiram nas cadeiras e na mesa de votação. Os seguranças correram para tentar salvar os computadores usados pelos deputados. Mas não conseguiram poupar todo o patrimônio da Câmara. Alguns manifestantes mais exaltados quebraram partes do teto e riscaram as poltronas com o gesso espalhado pelo chão.
Hino Nacional
O clima esquentou após a invasão. Em cima das bancadas, líderes de movimentos estudantis e sindicalistas cantaram o hino nacional e gritaram palavras de ordem. O slogan do protesto era %u201CArruda na Papuda%u201D, em referência à penitenciária masculina da cidade. O vice-governador Paulo Octávio (DEM) e os deputados distritais, também suspeitos de participar do esquema de corrupção, não escaparam das provocações. Com medo de represálias, assessores de parlamentares citados no inquérito tiraram as placas de identificação das portas dos gabinetes e deixaram o prédio pela porta dos fundos. Mas o chefe de gabinete do deputado Leonardo Prudente, coronel Jair Tedeschi, acompanhava toda a manifestação da tribuna da imprensa.
Todas as tribos
O perfil dos manifestantes era bastante variado. Compunham o grupo integrantes de sindicatos fortes, como o dos bancários e o dos professores, representantes de partidos políticos, estudantes de universidades, como os que participaram da ocupação da reitoria da UnB em abril do ano passado, e alunos do ensino médio. A atitude dos participantes do protesto também era bem heterogênea. Alguns queriam discutir a situação política e deliberar sobre o futuro do movimento. Outros queriam apenas incitar a violência, aos gritos de %u201Cquebra tudo%u201D. Mas os manifestantes mais experientes conseguiram conter o ímpeto dos demais.
Durante o ato, a revolta se transformou em humor. Muitas pessoas estavam fantasiadas de palhaços, com malas de dinheiro falso e caixas em alusão ao nome da operação da Polícia Federal que desencadeou o caso %u2014 Caixa de Pandora. Um jovem que se identificou como Sérgio e disse ser funcionário do GDF estava com o rosto pintado de branco e um nariz de palhaço. Na cueca vestida sobre a roupa, pôs um maço de dinheiro de brinquedo. %u201CA gente tem que acabar com essa roubalheira e tirar o governador de lá. Só o povo pode mudar essa situação%u201D, gritava o jovem.
Quem também estava fantasiado era o bancário Iran de Sousa Né, escalado para interpretar Arruda durante os protestos. %u201CÉ por causa da careca. Não é a primeira vez que represento este papel, mas agora a coisa está feia. A gente precisa chamar a atenção para a gravidade do caso%u201D, disse Iran, com uma faixa de governador. Durante os protestos, ele se deitou sobre o caixão levado pelos manifestantes. Já um aluno de história do UniCeub, de 27 anos e vestido com a camisa da torcida organizada Gaviões da Fiel, do Corinthians, surrupiou as bandeiras do Brasil e do DF que ficavam no plenário. %u201CVou levar como troféus. Esse povo (os deputados) não merece essas bandeiras%u201D, comentou, sem revelar nome.
Estudantes com uniformes do Centro de Ensino Médio 417 de Santa Maria e do Centro de Ensino Médio Elefante Branco, na Asa Sul, começaram a riscar todas as poltronas com gesso. %u201CA gente tem que quebrar tudo, colocar fogo nisso aqui%u201D, repetia um deles. Entretanto, as lideranças que se revezavam ao microfone destacavam a importância de preservar o patrimônio público. %u201CVamos convocar a população do DF a ocupar a Câmara Legislativa, mas temos que tomar cuidado para que nada seja danificado%u201D, gritava ao microfone o professor da UnB Rodrigo Dantas, militante do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).
Sessão de 13 minutos
As divergências entre os manifestantes ficaram evidentes logo após a ocupação. Enquanto alguns estudantes davam entrevista à imprensa, outros gritavam para reclamar das declarações. %u201CVamos dormir aqui até o fim%u201D, dizia o universitário Levi Brandão, do UniCeub, quando alguns de seus colegas determinaram que ele não falasse com os repórteres.
Houve confusão também entre militantes de diferentes partidos políticos. Enquanto uma pessoa balançava uma bandeira do PSB, um grupo de manifestantes começou a agredi-lo verbalmente. %u201CVai embora daqui, que moral vocês têm para protestar? O (deputado) Rogério Ulysses está no meio da corrupção%u201D, acusou um participante do protesto.
Em meio à confusão generalizada, parlamentares da oposição tentavam desocupar o plenário para ler os pedidos de afastamento contra Arruda e Paulo Octávio. A deputada Érika Kokay (PT) subiu à tribuna entre os manifestantes para explicar os trâmites dos processos. Mais uma vez, houve muita divergência. Alguns queriam manter o plenário ocupado. Outro grupo defendia a saída temporária, para que a leitura dos requerimentos fosse possível.
Ontem foram apresentados três novos pedidos de impeachment: um do PT, outro do PSol e o terceiro elaborado pela Ordem dos Ministros Evangélicos, uma entidade com sede no Gama. Às 17h30, os deputados do PT conseguiram convencer os participantes do protesto a sair. Meia hora depois, foi aberta a sessão, com a presença dos quatro deputados do PT, além de José Antônio Reguffe (PDT) e de Jaqueline Roriz (PSDB). O presidente em exercício, Cabo Patrício, leu os seis pedidos de impeachment. A sessão durou 13 minutos. Os manifestantes se reuniram e, meia hora depois, decidiram ocupar o plenário da Câmara novamente. (RA, DB e HM)
Confira videorreportagem sobre a invasão da Câmara Legislativa por manifestantes que exigem a renúncia de Arruda
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Freire: CAIXA DE PANDORA »
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/12/02/cidades,i=158459/CPI+DEIXARA+OS+DISTRITAIS+DE+FORA+DA+INVESTIGACAO.shtml
CAIXA DE PANDORA »
CPI deixará os distritais de fora da investigação
Deputados "se esquecem" de que seus pares estão citados nas gravações do suposto esquema de corrupção e decidem focar apenas o governo
Samanta Sallum
Publicação: 02/12/2009 11:55
Os deputados distritais de todas as cores partidárias se uniram ontem para tentar reduzir os prejuízos causados pelas denúncias que recaem sobre a Câmara Legislativa. A estratégia definida em reunião ontem à tarde, que durou quatro horas, foi desviar o foco sobre a Casa direcionando a munição contra o Governo do Distrito Federal (GDF). Pela primeira vez, por unanimidade, os parlamentares decidiram abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a “corrupção” no Executivo local. Algo inédito na Casa.
A CPI foi aprovada por unanimidade em reunião realizada ontem à tarde
Houve pequena resistência de parte da base de apoio ao governo no início das discussões que reuniram 22 distritais(1). Mas os parlamentares não encontraram outra saída senão devolver a “batata quente” para o GDF. E os resistentes acabaram convencidos, sendo aprovado o requerimento da CPI da Corrupção, como ela foi batizada. A maioria dos deputados entrou e saiu da reunião evitando a imprensa, principalmente os envolvidos nas denúncias.
A pressão e a necessidade de tentar minimizar o escândalo sobre o Legislativo fizeram com que deputados do ninho arrudista se aliassem até com a oposição para não se afogarem sozinhos em meio às denúncias. Caso da líder do governo, deputada Eurides Brito (PMDB), e do presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (DEM), que se afastou do cargo ontem (leia ao lado). Ambos aparecem em imagens gravadas recebendo dinheiro de Durval Barbosa. Eles concordaram com a CPI da Corrupção, que pretende apurar todas as transações envolvendo empresas prestadoras de serviço e o governo.
A oposição saiu fortalecida da reunião. “É uma vitória do Poder Legislativo a abertura da CPI. Uma resposta que a sociedade merece. É preciso apurar doa a quem doer”, disse o deputado Cabo Patrício (PT), que agora assume a presidência da Câmara. Os governistas, constrangidos, aprovaram a CPI, mas não quiseram dar declarações. Apenas a oposição e o deputado José Antônio Reguffe (PDT) comentaram. Autor de um pedido de CPI, o pedetista comemorou a decisão dos deputados, mas demonstrou preocupação: “É preciso que essa CPI funcione mesmo, seja séria, trabalhe”. Hoje se iniciam as conversas para definir a presidência e a relatoria da CPI, mas os trabalhos da comissão ainda não têm data para começar.
Salvamento
Da CPI, os parlamentares ficam de fora. Aos oito deputados envolvidos caberá responder a processo por quebra de decoro parlamentar na Comissão de Ética da Câmara Legislativa. São eles: Leonardo Prudente (DEM), Benício Tavares (PMDB), Benedito Domingos (PP), Júnior Brunelli (PSC), Eurides Brito (PMDB), Rogério Ulysses (PSB), Rôney Nemer (PMDB) e Aylton Gomes (PMN), licenciado. No entanto, também há desconfiança sobre o resultado dos processos. Outra estratégia de salvamento teria sido montada. Os deputados admitiriam, como já fez Prudente, que receberam dinheiro como caixa 2 de campanha eleitoral, em 2006. Responderiam pelo crime eleitoral, que devido à data, pode prescrever. E não seriam condenados por quebra de decoro parlamentar já que ainda não tinham sido eleitos na época da irregularidade.
A liderança do PT protocola hoje pedido de abertura de processo por crime de responsabilidade contra o governador José Roberto Arruda. Dois advogados representando a sociedade civil entregaram ontem na Câmara pedido de impeachment de Arruda.
1 - Ausentes
Os únicos distritais ausentes na reunião foram Júnior Brunelli (PSC), que está de licença médica, e Benício Tavares (PTB). Brunelli deveria voltar ao trabalho, mas renovou o pedido de afastamento por questões de saúde.
Prudente se afasta
Um dia depois de afirmar que não iria se afastar da presidência da Câmara Legislativa, o deputado Leonardo Prudente (DEM) se licenciou do cargo até “o fim das
Leonardo Prudente (ao centro): afastamento a mando do coração
investigações” sobre as denúncias de recebimento ilegal de dinheiro. Isso significa um tempo indeterminado. Depois de quatro horas de reunião com outros 21 deputados distritais, Prudente avaliou ser a melhor saída no momento. É uma tentativa de reduzir o desgaste de imagem da Casa diante dos vídeos em que diversos parlamentares aparecem recebendo maços de notas de Durval Barbosa, ex-assessor de Relações Institucionais do governador José Roberto Arruda (DEM).
As decisões que saíram da reunião foram anunciadas pelo deputado Cabo Patrício (PT), que agora assume a presidência da Câmara. Entre elas, a eleição de um corregedor especialmente para cuidar do caso. Isso porque o atual, o deputado Júnior Brunelli (PSC), é um dos envolvidos no escândalo e, automaticamente, está impedido de conduzir o processo de apuração interna na casa. A escolha do deputado que vai assumir a função será feita amanhã, por meio de votação, em plenário.
Submundo
O deputado Rogério Ulysses (PSB) voluntariamente pediu o afastamento da presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) por também estar entre os citados no inquérito da Polícia Federal que apura o caso. “Estou vivendo o momento mais difícil da minha vida. Meu nome foi arrastado para esse submundo da política que eu não conheço. Não há imagem alguma minha, não recebi benefício algum. Meu nome é citado de forma leviana”, disse Ulysses. Ele e mais sete deputados envolvidos vão responder a processo por quebra de decoro parlamentar na Comissão de Ética da Câmara Legislativa.
Os deputados foram convocados por telegrama para a reunião na tarde de ontem. A estratégia era evitar a sessão em plenário para não ocorrer lavagem de roupa suja na tribuna diante dos jornalistas. A reunião entre os deputados transcorreu sem confrontos. Prudente colocou em pauta seu afastamento, dizendo que “o coração o mandava” fazer isso. Como não renunciou ao cargo, apenas se afastou, podendo retornar a qualquer momento, não há possibilidade pelo regimento interno de nova eleição para compor a Mesa Diretora.
Deputados "se esquecem" de que seus pares estão citados nas gravações do suposto esquema de corrupção e decidem focar apenas o governo
Samanta Sallum
Publicação: 02/12/2009 11:55
Os deputados distritais de todas as cores partidárias se uniram ontem para tentar reduzir os prejuízos causados pelas denúncias que recaem sobre a Câmara Legislativa. A estratégia definida em reunião ontem à tarde, que durou quatro horas, foi desviar o foco sobre a Casa direcionando a munição contra o Governo do Distrito Federal (GDF). Pela primeira vez, por unanimidade, os parlamentares decidiram abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a “corrupção” no Executivo local. Algo inédito na Casa.
A CPI foi aprovada por unanimidade em reunião realizada ontem à tarde
Houve pequena resistência de parte da base de apoio ao governo no início das discussões que reuniram 22 distritais(1). Mas os parlamentares não encontraram outra saída senão devolver a “batata quente” para o GDF. E os resistentes acabaram convencidos, sendo aprovado o requerimento da CPI da Corrupção, como ela foi batizada. A maioria dos deputados entrou e saiu da reunião evitando a imprensa, principalmente os envolvidos nas denúncias.
A pressão e a necessidade de tentar minimizar o escândalo sobre o Legislativo fizeram com que deputados do ninho arrudista se aliassem até com a oposição para não se afogarem sozinhos em meio às denúncias. Caso da líder do governo, deputada Eurides Brito (PMDB), e do presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (DEM), que se afastou do cargo ontem (leia ao lado). Ambos aparecem em imagens gravadas recebendo dinheiro de Durval Barbosa. Eles concordaram com a CPI da Corrupção, que pretende apurar todas as transações envolvendo empresas prestadoras de serviço e o governo.
A oposição saiu fortalecida da reunião. “É uma vitória do Poder Legislativo a abertura da CPI. Uma resposta que a sociedade merece. É preciso apurar doa a quem doer”, disse o deputado Cabo Patrício (PT), que agora assume a presidência da Câmara. Os governistas, constrangidos, aprovaram a CPI, mas não quiseram dar declarações. Apenas a oposição e o deputado José Antônio Reguffe (PDT) comentaram. Autor de um pedido de CPI, o pedetista comemorou a decisão dos deputados, mas demonstrou preocupação: “É preciso que essa CPI funcione mesmo, seja séria, trabalhe”. Hoje se iniciam as conversas para definir a presidência e a relatoria da CPI, mas os trabalhos da comissão ainda não têm data para começar.
Salvamento
Da CPI, os parlamentares ficam de fora. Aos oito deputados envolvidos caberá responder a processo por quebra de decoro parlamentar na Comissão de Ética da Câmara Legislativa. São eles: Leonardo Prudente (DEM), Benício Tavares (PMDB), Benedito Domingos (PP), Júnior Brunelli (PSC), Eurides Brito (PMDB), Rogério Ulysses (PSB), Rôney Nemer (PMDB) e Aylton Gomes (PMN), licenciado. No entanto, também há desconfiança sobre o resultado dos processos. Outra estratégia de salvamento teria sido montada. Os deputados admitiriam, como já fez Prudente, que receberam dinheiro como caixa 2 de campanha eleitoral, em 2006. Responderiam pelo crime eleitoral, que devido à data, pode prescrever. E não seriam condenados por quebra de decoro parlamentar já que ainda não tinham sido eleitos na época da irregularidade.
A liderança do PT protocola hoje pedido de abertura de processo por crime de responsabilidade contra o governador José Roberto Arruda. Dois advogados representando a sociedade civil entregaram ontem na Câmara pedido de impeachment de Arruda.
1 - Ausentes
Os únicos distritais ausentes na reunião foram Júnior Brunelli (PSC), que está de licença médica, e Benício Tavares (PTB). Brunelli deveria voltar ao trabalho, mas renovou o pedido de afastamento por questões de saúde.
Prudente se afasta
Um dia depois de afirmar que não iria se afastar da presidência da Câmara Legislativa, o deputado Leonardo Prudente (DEM) se licenciou do cargo até “o fim das
Leonardo Prudente (ao centro): afastamento a mando do coração
investigações” sobre as denúncias de recebimento ilegal de dinheiro. Isso significa um tempo indeterminado. Depois de quatro horas de reunião com outros 21 deputados distritais, Prudente avaliou ser a melhor saída no momento. É uma tentativa de reduzir o desgaste de imagem da Casa diante dos vídeos em que diversos parlamentares aparecem recebendo maços de notas de Durval Barbosa, ex-assessor de Relações Institucionais do governador José Roberto Arruda (DEM).
As decisões que saíram da reunião foram anunciadas pelo deputado Cabo Patrício (PT), que agora assume a presidência da Câmara. Entre elas, a eleição de um corregedor especialmente para cuidar do caso. Isso porque o atual, o deputado Júnior Brunelli (PSC), é um dos envolvidos no escândalo e, automaticamente, está impedido de conduzir o processo de apuração interna na casa. A escolha do deputado que vai assumir a função será feita amanhã, por meio de votação, em plenário.
Submundo
O deputado Rogério Ulysses (PSB) voluntariamente pediu o afastamento da presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) por também estar entre os citados no inquérito da Polícia Federal que apura o caso. “Estou vivendo o momento mais difícil da minha vida. Meu nome foi arrastado para esse submundo da política que eu não conheço. Não há imagem alguma minha, não recebi benefício algum. Meu nome é citado de forma leviana”, disse Ulysses. Ele e mais sete deputados envolvidos vão responder a processo por quebra de decoro parlamentar na Comissão de Ética da Câmara Legislativa.
Os deputados foram convocados por telegrama para a reunião na tarde de ontem. A estratégia era evitar a sessão em plenário para não ocorrer lavagem de roupa suja na tribuna diante dos jornalistas. A reunião entre os deputados transcorreu sem confrontos. Prudente colocou em pauta seu afastamento, dizendo que “o coração o mandava” fazer isso. Como não renunciou ao cargo, apenas se afastou, podendo retornar a qualquer momento, não há possibilidade pelo regimento interno de nova eleição para compor a Mesa Diretora.
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